fevereiro 11, 2025

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Mamãe nos levou ao cinema - era algo que nunca fazíamos, 

Um luxo caro demais para a nossa vida simples, 

No apartamento de um só quarto,

Na realidade de um pai doente. 


Minha irmã queria ser Suzanna, alta e rebelde, 

Uma arqueira poderosa que protegia a irmã mais nova. 

Eu também queria ser ela, os cabelos lisos e os vestidos incríveis. 


Brigamos.


Mamãe apartou a briga, dizendo que Clara poderia ser Lúcia,

Pois era a mais nova, de qualquer forma,

E eu seria Suzanna 


Às vezes penso se foi ali, naquele momento, 

Que eu fui incumbida da tarefa de guardiã da minha irmã, 

Prestes a me atirar diante de um lobo para mantê-la a salvo.


De qualquer modo, bastou a palavra da minha mãe e, 

Simples assim, a briga estava resolvida, 

A sentença que precisávamos. 


Naquele dia, papai nos encontrou no shopping,

De surpresa! 

Lembro de corrermos até ele tão felizes por estar ali,

Tão animadas de podermos contar sobre o filme, 


Dali, saímos para comer sanduíche, 

Clara e eu nos sentamos numa mesa pequena - para crianças. 

Papai e mamãe dividiram uma mesa de adultos. 

E, juntos, andamos para casa.


Clara foi Lúcia e eu fui Suzanna por meses a fio,

Semanas consecutivas,

Quando nos sentávamos, todos os domingos de manhã, 

Para reassistir ao filme que deu origem à brincadeira. 


Tínhamos brinquedos, vindos em caixas de cereais, 

Que, congelados pela Feiticeira Branca, 

Recuperavam a cor com nossos sopros.  


O ciclo recomeçava

Todas as vezes que as pequenas peças iam parar no congelador. 


Era 2005, nós (ainda) éramos felizes. 


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eu fico pedindo a qualquer deus que ouça  a qualquer energia misteriosa que rege o universo a qualquer coisa , qualquer um,  eu fico implora...