Mas só fui me apaixonar por ele algum tempo depois,
Talvez, não porque eu o amasse antes,
E sim porque ele me amou primeiro.
Foi aquele amor adolescente cheio de clichês,
Proibido, inconsequente, sofrido,
Interrompido por circunstâncias alheias à nossa vontade,
Silenciado tantas vezes que só nos restava gritar nossa paixão aos quatro ventos.
Lembro-me de chorar várias vezes,
De saudade, de raiva, de medo...
O futuro é algo distante e assustador quando temos quinze anos,
E a vida e as decisões não estão nas nossas mãos.
Lembro-me do cheiro dele,
Fumaça, hortelã e creme de cabelo,
Os cachos delicados enchendo a cabeça
Linda e brilhante que ele tinha.
Não sei se já conheci alguém tão inteligente quanto ele.
Alguém com uma dor tão fresca quanto a dele,
Recém pintada naqueles olhos escuros,
No curvar delicado da boca pequena,
Nos silêncios profundos que fazíamos.
Anos depois, quando sofri da mesma dor,
Quando ela foi tingida em tons carmins no meu peito,
Eu me lembro de pensar que, finalmente,
Nós éramos iguais de alguma forma.
Isso não fez meu coração doer menos...
Nós não temos notícias um do outro há mais de uma década,
Não nos falamos há todo esse tempo, não sabemos nada de quem somos.
Esse primeiro amor, juvenil e arrebatador e insensato
Foi arrancado dos nossos caminhos, das nossas vidas.
Mas eu guardo as memórias num canto feliz, no meu peito que dói como o dele.
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