fevereiro 24, 2025

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No silêncio da noite, a lua desenha saudades:
Raios de luz deslizam pela superfície tranquila do mar,
O brilho das estrelas, um tapete para o infinito de sentimentos
Que se derramam pela escuridão de veludo.

As ondas sussurram memórias que o tempo tentou apagar,
Mas o vento, cúmplice dos segredos,
Insiste em flutuar palavras suas ao meu encontro.

Mesmo longe, te ouço claramente,
Tão perto que meu corpo inteiro arrepia
Com a lembrança do seu hálito ao pé do meu ouvido,
Tão perto, mesmo estando tão distante.

Seu nome dança no ar, bordado em brisas que me abraçam,
E meu coração, errante,
Te busca em cada sombra prateada da noite.

Quanto mais meus olhos te buscam entre as ondas, mais distante parecemos estar,
Então eu repouso, abrindo mão da necessidade de controle, da ansiedade por saber onde estamos indo,
Eu me rendo à simplicidade da sua presença e do peso da sua ausência no meu peito.

E, assim, flutuo entre o que fomos e o que ainda seremos,
Deixando que o tempo nos embale como a maré embala um barco sem rumo,
Sem pressa, sem medo, apenas sentindo cada instante que você existe em mim.

fevereiro 19, 2025

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You're all over me as the sun comes up.

The windows are open, no curtains to block the sun from our faces and bodies.
I'm bathed in warmth, the light licking my legs and back as time passes.
But even as I'm so comfortable in the heat, no sensation is better than having you all to myself.
Naked, relaxed, with no worries but to rest in our love.

As the sun wakes me up, I feel my body roll, searching for yours on the bed, just to find you right there, in the perfect position for me to cuddle up against your body.
You don’t move as I nest in your chest, letting me find that perfect lock between our legs. And when we're intertwined just right, you wrap an arm around me, your hand slowly caressing my arms, my waist, my breasts—your touch eventually finding my hair in a sweet gesture that makes me love you even more. And even more when you tangle your fingers in it, pulling me in for a kiss.

I can still taste myself on your tongue—our taste—as you savor me, your mouth waking me up for real this time. My body reacts to every stroke of your tongue against mine, every little possessive bite on my lips, the grip in my hair claiming me as you guide me to break the kiss, to lie back as your mouth slides down my throat and neck.

We exchange no words, no whispered "good morning," but there’s this visceral need for more — for us — as you make me moan and take me higher. Again. And again.

There is no world outside this bedroom.

fevereiro 18, 2025

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Sometimes, I touch myself, dreaming that it’s your hand on my skin,
Savoring every part of me, from my lips to my toes, making me moan in anticipation.
Sometimes, I close my eyes, and I swear I can feel your breath on my skin,
Your lips tracing maps on my body, leading me to the edge with every single move.

I love to imagine your hands, gripping me so firmly, almost as if you knew I was yours.
Almost as if you didn’t care about leaving marks, letting others know I belong to you.
I can almost feel the possessiveness in your touch, the need to know if I’m ready enough to take you in.
If I close my eyes long enough, I can hear you moan as your fingers taste me — so deep — making me moan and cry for more.
It’s like I can never get enough of you, and in these dreams, you know this.
You’re so sure of it, you never think twice before sliding in another finger, testing me as you move, as your mouth gets lost somewhere between my thighs.

In this dream, my hands are tangled in your hair, pulling, guiding you exactly where I need you to be, where I need you to take me.
You don’t mind my nails digging into your skin, scratching, dragging red lines down your back, your neck, your shoulders.
You don’t mind at all that my legs are trembling, that my breath is lost between moans.
You never mind how fucking wet I am for you — so wet it echoes in the room as you fuck me with your fingers, with your mouth —
As you strip me of control and make me yours.

In these lucid dreams, you never mind your name on my lips — prayers growing more desperate as your free hand roams my body, 
Grabbing my breasts, pinching each nipple between your fingers.
It’s not gentle; you don’t care to make it easy on me, and I never wanted you to.
I want to be lost in this feeling.
You make me fucking scream your name — such a devotee to the holiness of your touch, and you never stop as my breath catches, trapped in the pleasure only you can make me feel.
You never stop, even when my body crumbles beneath your mouth, even when my core tightens around you, again and again.
When I can finally breathe, it’s with a loud cry — a prayer that you never stop.

And you don’t.
You just get up and turn me to my belly.
I know I’m in heaven when you take me from behind, your hands gripping my hips, steadying me to take your thrusts, again and again, until I’m crying in pleasure. Again.
You make me lose control. You make me beg for more.
You make me cry out as you pull my hair, arching my back to meet your mouth — tasting myself on your lips.
One of your hands wraps around my neck, steadying me as you take me harder, so deep I soak the fucking bed.
So hard I lose my balance.

As you let my head fall against the mattress, I hear the sharp slap on my ass —
Reddening my skin, making me shiver, making me moan louder, as if that were even possible.
On my lips, your name is a prayer, my moans are my offering to the pleasure you demand from me.
I am yours — body and soul — shattered beneath you, rebuilt with every thrust, with every stroke, with every breathless whisper against my ear.
I can feel you everywhere, your hands claiming me, your teeth marking me, your voice commanding me.
And I obey, surrendering to the fire you set ablaze inside me, letting it consume me until there is nothing left but us.

You don’t stop.
Not when my body shakes, not when my voice breaks, not when I’m too lost in the pleasure to remember my own name — only yours.
Not when my legs give in, my body collapsing beneath the weight of my release, soaking you, soaking the bed, soaking the very air around us with the heat we created.
You revel in it, in the mess you made of me, in the way my body still begs for more even when there’s nothing left to give.

And when you finally let me breathe, when you finally let me rest, your lips find my ear,
Your voice deep, wrecked, full of satisfaction as you whisper

"Again."

fevereiro 16, 2025

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"Bang", fez a arma em minhas mãos, 
O coice fazendo doer meu ombro conforme 
O cheiro da pólvora queimava meus sentidos 
O vermelho do sangue enchendo minha visão
Nenhum remorso amargando minha boca. 

Tiro dado, eu só consegui admirar minha obra de arte, 
Tudo o que um dia eu considerei "amor" jazendo ali,
Bem na minha frente, completamente imóvel, 
Cinza, frio, desconhecido, 
Nada como eu o tinha enxergado antes. 

Suas arestas afiadas tinham me ferido, 
Suas palavras duras tinham me trancafiado 
Em algum lugar escuro e solitário, 
E, ainda assim, eu havia insistido. 

Que tola, 
Que pobre mulher tola, 
Acreditando em promessas vazias, 
Em contos de fadas que, definitivamente, são contos de terror.

Minha pobre, querida tola, 
Foi você quem fechou seus próprios olhos, 
Ou foi o conjunto do todo que lhe cegou? 
Você ainda era essa criatura ingênua, 
Ou só preferiu não enxergar o que estava bem à sua frente? 

Não importam as respostas. 
Importa o agora, 
A cena de morte estampada bem diante de nós, 
Todo o amor que você achou que era perfeito, 
Se mostrando em sua verdadeira face, 
Cinza e feio, mesquinho e egoísta. 

Esse relacionamento nunca foi sobre você. 
Mas essa morte, sim. 

Não esqueça de quem você é.


fevereiro 11, 2025

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Mamãe nos levou ao cinema - era algo que nunca fazíamos, 

Um luxo caro demais para a nossa vida simples, 

No apartamento de um só quarto,

Na realidade de um pai doente. 


Minha irmã queria ser Suzanna, alta e rebelde, 

Uma arqueira poderosa que protegia a irmã mais nova. 

Eu também queria ser ela, os cabelos lisos e os vestidos incríveis. 


Brigamos.


Mamãe apartou a briga, dizendo que Clara poderia ser Lúcia,

Pois era a mais nova, de qualquer forma,

E eu seria Suzanna 


Às vezes penso se foi ali, naquele momento, 

Que eu fui incumbida da tarefa de guardiã da minha irmã, 

Prestes a me atirar diante de um lobo para mantê-la a salvo.


De qualquer modo, bastou a palavra da minha mãe e, 

Simples assim, a briga estava resolvida, 

A sentença que precisávamos. 


Naquele dia, papai nos encontrou no shopping,

De surpresa! 

Lembro de corrermos até ele tão felizes por estar ali,

Tão animadas de podermos contar sobre o filme, 


Dali, saímos para comer sanduíche, 

Clara e eu nos sentamos numa mesa pequena - para crianças. 

Papai e mamãe dividiram uma mesa de adultos. 

E, juntos, andamos para casa.


Clara foi Lúcia e eu fui Suzanna por meses a fio,

Semanas consecutivas,

Quando nos sentávamos, todos os domingos de manhã, 

Para reassistir ao filme que deu origem à brincadeira. 


Tínhamos brinquedos, vindos em caixas de cereais, 

Que, congelados pela Feiticeira Branca, 

Recuperavam a cor com nossos sopros.  


O ciclo recomeçava

Todas as vezes que as pequenas peças iam parar no congelador. 


Era 2005, nós (ainda) éramos felizes. 


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Conheci meu primeiro amor aos doze anos, 
Mas só fui me apaixonar por ele algum tempo depois, 
Talvez, não porque eu o amasse antes, 
E sim porque ele me amou primeiro. 

Foi aquele amor adolescente cheio de clichês,
Proibido, inconsequente, sofrido,
Interrompido por circunstâncias alheias à nossa vontade, 
Silenciado tantas vezes que só nos restava gritar nossa paixão aos quatro ventos. 

Lembro-me de chorar várias vezes, 
De saudade, de raiva, de medo... 
O futuro é algo distante e assustador quando temos quinze anos, 
E a vida e as decisões não estão nas nossas mãos.

Lembro-me do cheiro dele, 
Fumaça, hortelã e creme de cabelo, 
Os cachos delicados enchendo a cabeça 
Linda e brilhante que ele tinha. 
Não sei se já conheci alguém tão inteligente quanto ele.

Alguém com uma dor tão fresca quanto a dele,
Recém pintada naqueles olhos escuros,
No curvar delicado da boca pequena, 
Nos silêncios profundos que fazíamos.

Anos depois, quando sofri da mesma dor, 
Quando ela foi tingida em tons carmins no meu peito,
Eu me lembro de pensar que, finalmente, 
Nós éramos iguais de alguma forma. 
Isso não fez meu coração doer menos...

Nós não temos notícias um do outro há mais de uma década, 
Não nos falamos há todo esse tempo, não sabemos nada de quem somos.
Esse primeiro amor, juvenil e arrebatador e insensato
Foi arrancado dos nossos caminhos, das nossas vidas.
Mas eu guardo as memórias num canto feliz, no meu peito que dói como o dele. 

fevereiro 05, 2025

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Eu penso em mares, oceanos, um infinito de azul à minha espera.

Penso em estar completamente sozinha diante desse azul, 

Perdida em nada além da minha própria companhia e do som das ondas se quebrando na areia, dos pássaros ao redor, do vento cantando. 

Sonho em fechar os olhos e sentir o cheiro de maresia, as gotículas de água encontrando minha pele.

Nesses sonhos, meus pés estão na areia, e eventualmente uma onda me alcança, lambendo minha pele e me encantando com a temperatura da água, com a sensação do mar em mim.

Quando imagino, está sempre nublado, uma brisa salgada e gentil me acariciando a pele e fazendo bagunça nos meus cabelos. 

Eu não preciso entrar no mar, nesses sonhos. Eu só preciso estar lá. 

Rodeada de água, perdida numa cidade qualquer em que ninguém me conheça, quando ninguém me impeça de estar ali. 

Nesse lugar ideal, eu me deito na areia, aproveitando a sensação áspera e dura, e ao mesmo tempo tão confortável. 

Não há celular, nem relógio, nem agenda. 

Não há ninguém além de mim nesse pensamento perfeito. Na verdade, ninguém sequer saberia onde eu estou.

Seríamos apenas nós dois: 

Só eu e o mar. 


fevereiro 04, 2025

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Who am I? 

I find myself asking this question so many times a day,

As I walk myself home,

As I take a look in the mirror,

As I try to figure out what I like and love and want.


Who am I? 

Sometimes I think I'm just someone who wants love so bad, 

She would do anything to make it look pretty 

Even when it's a maddening hell of a relationship 

Even when it's impossible 

Even when it's made up.


Who am I? 

Sometimes I think I'm just someone lost in the way,

Not knowing where she ends or where she begins,

Knowing nothing about where she came from 

Even when she tries so hard to understand

Even when she walks all the ways her heart lead.


I'm so confused of who I am, of who I want to be. 

I'm so confused of what I love, what I like, what I wanna do


For now, I wanna run...  

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É como se tudo que eu quisesse fosse dor

A mais cruel e agoniante dor, misturada com desejo e prazer e volúpia

Mas, acima de tudo, dor

Como se eu precisasse de punição por me sentir assim

Como se eu precisasse sofrer pra ser digna de algo assim

Como se mesmo o meu flagelo fosse pouco para justificar tanto. 


Eu fecho os olhos, e eu penso nas chamas de desejo lambendo meu corpo,

Molhando minhas pernas, meu corpo, minha cama,

Molhando nós enquanto você me domina e me faz chorar,

Implorando por algum fim à essa agonia cacofônica de gozar a vida

Imersa e completamente entregue no que é

Amar você.

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eu fico pedindo a qualquer deus que ouça  a qualquer energia misteriosa que rege o universo a qualquer coisa , qualquer um,  eu fico implora...