Preciso chorar. E eu quero chorar. Mas não sei se tenho coragem de me deixar sentir as lágrimas, de deixar elas marcarem meu rosto com o que sinto. Tenho medo das cicatrizes. Tenho medo do que vem depois delas.
E não há um caminho que me leve pra fora daqui, todos eles só me afogam mais e mais. Só me fazem queimar por dentro, só consomem minha alma.
E eu quero ser forte e encarar tudo isso com um sorriso enorme, mas a solidão é tão mais forte! Como me sinto sozinha, Deus!
O pior de tudo, o que torna o vazio mais insuportável, é toda essa gente ao meu redor. É saber que elas vão rir quando eu demonstrar que estou mal, saber que vão me chamar de louca quando eu chorar (aparentemente) sem motivos, saber que de todas elas, nenhuma vai entender o motivo das minhas lágrimas.
E o que resta? Notas musicais soando pelo corredor e quebrando-se contra a porta. Impenetrável, inviolável. Tudo isso mata aos poucos. Mata deixando as coisas não entrarem, não se aproximarem de mim. E no fim, não há como seguir em frente, porque todas as portas são como essa - invioláveis.
Dentro só existe fome. Dentro de mim só existe fome. Fome de sentidos, de amor, de sentimentos e de algo pra fazer o sangue correr. Algo pra aquecer e pra me manter viva. É isso tudo o que falta.
E o silêncio ecoa pelo quarto, matando qualquer esperança de vida fora daqui. É assim que pessoas matam. É assim que pessoas morrem.
- J.
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