É meio da noite. Lábios doces tomando os meus, ávidos, ansiosos e famintos em cada avançar da língua na minha boca, como que para conhecer cada pedaço meu. Tão forte que me toma o fôlego. Tão intenso que machuca os meus lábios, espalhando uma vermelhidão pela boca e queixo. As mãos ásperas me tomam com urgência, tão exigentes quanto a boca quente que invade a minha, e os dedos se enroscam nos fios negros do meu cabelo como uma rédea, uma forma de me conduzir a sempre encontrar sua língua no lugar certo. A respiração parece supérflua na exigência desse beijo, e eu me rendo num arfar angustiado, deixando que os lábios me consumam, que a paixão dele me tome por inteiro, apagando qualquer traço de quem eu fui um dia.
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